Frases feitas, retóricas ociosas e outros pensamentos pedantes

sexta-feira, setembro 09, 2005

Lérias e La Férias #3

"O apogeu da arte grega foi conservador, (...), enquanto hoje a genuína actividade artística é revolucionária, (...) "
Richard Wagner (1813-1883) em "A Arte e a Revolução" 1849.

Ora como a nossa revolução só aconteceu 125 anos depois de Wagner partir a loiça toda, em Portugal este desabafo ainda está em vigor. O conselho é simples, faça o que deve saber fazer melhor e abstenha-se de comentar objectivamente qualquer acontecimento de arte contemporânea.

6 Comments:

Blogger ana said...

mesmo os violinos de chopin?

segunda-feira, setembro 12, 2005 5:40:00 da tarde

 
Blogger Pedro said...

A pergunta é no sentido de indagar sobre o carácter revolucionário dos violinos de Chopin? Ou sobre a aplicação do conselho avisado de não comentar semelhante obra de arte contemporânea?

segunda-feira, setembro 12, 2005 6:23:00 da tarde

 
Blogger ana said...

sobre a aplicação do conselho avisado de não comentar semelhante obra de arte contemporânea (santana versus violinos de chopin, um bom clássico para rir sempre que seja preciso afastar nuvens)

terça-feira, setembro 13, 2005 12:42:00 da tarde

 
Blogger Pedro said...

Eu sou da opinião que o político não deverá chegar à palavra com pessoas que percebam mais que ele do assunto em questão, o que implica ficar calado sempre que possível e desviar a conversa nas restantes ocasiões.

Se for esclarecido o suficiente para topar com os Violinos de Chopin, penso que um simples sorriso sarcástico de benevolente compreensão é mais ajuizado. Não só se coloca numa posição superiormente paternalista (passe o pleonásmo) como não abre a boca, que é sempre perigoso.

terça-feira, setembro 13, 2005 5:46:00 da tarde

 
Blogger d'Lages said...

Na eventualidade do político em formação se colocar na situação perigosa de concordância com o gosto alheio pelos supra-citados violinos, qual a acção de diversão aconselhável?
Mais: tendo noção de que poderá não se aperceber da irregularidade, deverá efectuar manobras de inversão do sentido-de-marcha sempre que emitir qualquer tipo de opinião?

quinta-feira, setembro 15, 2005 7:47:00 da tarde

 
Blogger Pedro said...

O político que toque esse violino não irá a tempo de se desdizer sem cair no ridículo. Até porque um político não deverá, por norma, desdizer-se, para isso haverá sempre outros políticos. O problema destes violinos é que tocam baixinho na cabeça de quem os lança e são orquestras sinfónicas nos ouvidos de quem os ouve. Ora quem faça de gozar com a inteligência alheia um modo de vida, levará algum tempo a perceber que não estão a gozar consigo (eu que o diga).

Quanto às manobras de inversão, acho-as demasiado traiçoeiras, o homem ou se compromete ou fica calado. O adágio geral é: quando faltam as palavras é um bom começo.

sexta-feira, setembro 16, 2005 9:09:00 da manhã

 

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