Frases feitas, retóricas ociosas e outros pensamentos pedantes

quinta-feira, setembro 01, 2005

Lérias e La Férias #1

"Gosto do concerto para violinos de Choupin"
Santana Lopes - fins de 1994 pouco antes de abandonar o governo.

Na vida de um político por vezes acontece ter-se o azar de ser a pessoa errada, no local errado, na hora errada, mas isso são erros demais, mesmo para um país como Portugal. A maior parte das vezes tudo corre de feição até que de repente alguém abre a boca.

O melhor conselho é que, se ninguém lhe perguntou nada, fique calado e quando ouvir uma pergunta, faça-se surdo. Mas se tiver mesmo de dizer alguma coisa, deixo um regra de boa conduta à laia de exemplo:

Num normal debate televisivo chega, primeiro que o seu adversário, à conclusão que nenhum dos dois faz a mais pálida ideia do que esteja em discussão. Ora, como o mais douto dos homens é o que conhece a sua própria ignorância, você encontra-se nesse momento em clara posição de vantagem.

A sua vontade é desmascarar o farsante e pensa avançar qualquer coisa do tipo - Você não faz a puta ideia do que está praí a dzer ó meu badamerda! Mas como é um político experimentado, pondera e diz-lhe apenas, em tom morno, cara séria e pesando cada palavra - O meu caro senhor deveria rever melhor as suas fontes antes de aceitar vir discutir um tema para o qual se encontra, notoriamente, mal informado.

Se falou calmamente e de dedo em riste tem agora duas hipóteses, ou foi interrompido antes de começar uma segunda frase, o que é bom, pois diminui a hipótese de estar nesse momento a meter os pés pelas mãos, ou ainda está em antena, o que pode ser melhor pois permite-lhe dar a estocada de morte antes de se remeter voluntáriamente ao silêncio e, como se sabe, num debate, o silêncio é o luxo do vencedor.